9 de julho de 2009

Quatro minutos

Eu não fiz nada por quatro minutos, apenas fechei os olhos e pensei em coisas que nunca vão acontecer. Faço isso o tempo todo. Cruzei as pernas, quando já deitado, e em seguida fiz o mesmo com as mãos sobre o peito. Como um morto que aproveitasse o sol em uma praia agradável. Lembrei, ou inventei, não tenho certeza, de que cruzar as pernas assim, dá problemas de coluna. Descruzei e cruzei novamente. É mais forte do que eu. Sempre cruzo as pernas. É automático, sabe? Apreciei a brisa do ventilador, que sopra mesmo sendo inverno. Me sinto sufocado sem o vento ali. Um dos cachorros esbarrou na porta do quarto onde eu fazia nada por quatro minutos. Acho que foi a que não enxerga. Às vezes ela esbarra em coisas, já que não enxerga. Também esbarro em coisas, estabanação ao que me parece. Saí do torpor dos quatro minutos sem fazer nada, pisei no chão frio, abri a porta e nenhum cachorro estava por detrás. Dormiam todos. Todos os 20. Abri a porta da sala que vai para o quintal para fazer um teste, uma oferta para que o xixi fosse feito do lado de fora e não na minha cozinha limpinha. Não fui em que limpei. Alguns olharam de rabo de olho, outros nem acordaram com o barulho das chaves na madeira. Nenhum se animou ao exercício e ficou muito claro que pela manhã eu precisaria de um mocambo que limpasse minha cozinha novamente.

1 comentários:

Leo Cucatti disse...

ahaha sempre muito bom!!!
gosto demais do que você escreve... já te falei isso...

o do mais, como está tudo?

abração!
Leo. (magüerbes)